sábado, 27 de dezembro de 2025

poema dezembro



Gosto de saber
sem deixar mistério
passo a passo

Só guardo em mim
do que se mostra
sem fantasia

Ouço mil histórias
imagens, caminhos
nem todos são fatos

Prefiro chegar
andando entre pedras
sol na pele

Ver tudo mudar
paisagem em trânsito
corpo presença

Mais vale pra mim
o que eu mesma encontrei
com barulho de mar

Lugares, pessoas
abraços que ficam
marcas do chão

Não há vida sem
caminhar pelo tempo
se revelar

domingo, 21 de dezembro de 2025

O Museu da Cura

E se existissem espaços dedicados à cura da atenção?



E se, em vez de sempre corrermos para “consertar” algo em nós, tivéssemos lugares que simplesmente nos convidassem a estar?
A desacelerar. A respirar. A sentir.

Essa é a pergunta que atravessa a ideia do Museum of Healing Attention, criada por Jessi Rado — um museu imaginado não como um lugar de respostas prontas, mas como um espaço de encontro com a própria presença.

Mas antes de falar sobre museus, vale voltar um pouco.

Cura não como conserto, mas como retorno

Quando falamos em cura, muitas vezes pensamos em corrigir algo que está quebrado. Aqui, a proposta é outra.
Cura como um retorno ao espaço amplo do coração, onde todas as partes de quem somos podem existir sem serem empurradas para fora.

Um lugar interno onde:

  • não precisamos performar

  • não precisamos resolver

  • não precisamos ser melhores

Apenas mais inteiros.

Essa visão muda tudo. Porque ela desloca a cura do esforço para a atenção amorosa.

A atenção anda fragmentada — e não é por acaso

Vivemos em um tempo de atenção fraturada. Muitas abas abertas, muitos estímulos, pouco silêncio. Isso não afeta apenas a mente, mas também a forma como nos relacionamos uns com os outros.

A proposta do Museum of Healing Attention nasce justamente dessa observação:
o quanto estamos desconectados — de nós, do outro, do corpo, do agora.

E se existissem espaços que ajudassem a reunir essa atenção espalhada?

Não para focar mais, produzir mais ou render mais.
Mas para habitar o presente com mais suavidade.

Espaços que cuidam (de verdade)

Aqui entra um conceito poderoso: espaços trauma-informed.
Lugares pensados não apenas para serem bonitos ou funcionais, mas para oferecer:

  • sensação de segurança

  • liberdade de escolha

  • respeito aos limites de cada corpo

Nesse tipo de espaço, a arquitetura também cuida. A luz, o som, o ritmo, os materiais — tudo colabora para que o sistema nervoso possa relaxar um pouco.

O museu deixa de ser um local de consumo de arte e se torna um ambiente de regulação, presença e cuidado.

Um museu como ensaio de futuro

O mais bonito dessa ideia é que o museu não é apenas um prédio imaginário. Ele funciona como um protótipo de mundo.

Um convite a pensar:

  • como seriam nossas cidades se o cuidado fosse central?

  • quem teria acesso a esses espaços?

  • como seria uma cultura que valoriza a presença tanto quanto a produtividade?

Imaginar esse museu não é fuga da realidade — é uma forma de ensaiar outros modos de viver.

Imaginar é um ato político (e poético)

Quando damos forma aos nossos sonhos — como eles seriam, quem estaria lá, o que estaríamos fazendo — começamos a enxergar também os obstáculos e as possibilidades.

A imaginação deixa de ser algo abstrato e vira ferramenta.
Ela abre perguntas. Cria curiosidade. Planta sementes.

E talvez seja por isso que, quando o projeto foi publicado, muitas pessoas perguntaram:
“Mas onde fica esse museu? Posso visitar?”

Talvez ele já exista.
Não em um endereço fixo, mas toda vez que alguém cria um espaço — interno ou externo — onde a atenção é tratada com cuidado.

E se você imaginasse o seu?

Fica o convite:
Como seria um espaço de cura da atenção para você?

Um quarto? Um jardim? Um museu? Um ritual semanal?
Que luz teria? Que sons? Quem estaria ali?

Talvez imaginar seja o primeiro passo para criar.
E talvez criar seja, no fim das contas, uma forma profunda de cuidar ✨


quarta-feira, 29 de outubro de 2025

🌿 Pequenos hábitos que enchem meu dia de energia (e podem fazer o mesmo pelo seu)

 Às vezes, minhas amigas comentam comigo que gostariam de ter rotinas mais saudáveis, mas que simplesmente não conseguem por falta de tempo, ou até mesmo por não saber por onde começar.

 Eu tenho alguns hábitos simples mas que fazem toda a diferença no meu dia, ajudam meu corpo à funcionar melhor e me fazem sentir mais disposta e energizada. 


A primeira dica: Overnight oats com morango — o café da manhã mais prático e nutritivo.


Essa é uma das minhas receitas favoritas da vida!
Ela é super fácil de preparar, é rica em fibras, dá bastante saciedade e ainda é deliciosa.
O melhor de tudo é que dá pra variar: às vezes coloco banana, outras vezes morango, dá pra colocar até chocolate nela… enfim, dá pra adaptar ao gosto e ao que tiver em casa.

👉 Como eu faço:
Na noite anterior, misturo em um potinho: a aveia (mais da metade do pote), o leite e morangos picados.
Deixo a noite na geladeira e pronto! Na manhã seguinte, só adiciono chia e um fio de mel (opional) E você terá um café da manhã leve, nutritivo e que fica pronto antes mesmo de você acordar.

 Pausa da tarde: chá verde e maçã


O café da tarde pra mim é aquele momento de dar uma pausa, respirar e recarregar as energias.
Mas também é a hora mais fácil de cair na tentação de comer besteira, né?

Então, pra ir por uma opção mais saudável, eu costumo preparar um chá verde e comer uma maçã — e sim, faz toda a diferença.
O chá verde ajuda na digestão e dá uma leve estimulada na mente, o que é ótimo para essa pausa, enquanto a maçã tem fibras e um docinho natural que engana super bem a vontade de açúcar e ainda vai ajudar na saciedade.
É simples, rápido e me deixa com a sensação de estar cuidando bem de mim. 🌿

O melhor momento do dia - ZZZ


Poucas coisas são mais essenciais pro bem-estar do que uma boa noite de sono.
E o jeito como a gente encerra o dia faz toda a diferença. Então, criei um pequeno ritual noturno — e virou meu presente diário pra mim mesma: Tomo um banho quente pra soltar o corpo, preparo um chá calmante (camomila, capim-limão ou erva-doce) e faço alguns minutos de yoga relaxante. É um jeito simples de desacelerar e me reconectar antes de dormir. Você também pode escrever no seu diário e ficar um pouco offline antes de dormir.

Se você também tiver alguma dica para um dia mais energizado comenta aqui em baixo! 💫

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Oroboros

Está chegando o Dia das Crianças, uma data que celebra justamente o oposto da fase que vivo agora — os 27/28 anos, quando é quase inevitável atravessar um conflito interno. A gente se questiona, julga o que já fez, onde chegou e o quão distante está daquele lugar que imaginava quando ainda era… criança.

No Clube de Leitura do R., que acontece em todas as luas cheias, teremos no próximo mês a leitura do “Pequeno Príncipe”. Isso me trouxe uma lembrança muito especial: foi o primeiro livro que li sozinha na vida. Eu devia ter uns 7 anos, lembro de me sentar à mesa da cozinha para ler, enquanto minha mãe passava de um lado para o outro arrumando a casa.

É uma história bela, contada do ponto de vista de um príncipe que nunca perde seu olhar de criança, que conhece mundos habitados por adultos diferentes e questiona cada um deles. Por que será que, quando crescemos, alguns de nós só pensam em dinheiro? Ou em acumular posses? Tão preocupados com coisas que, aos olhos de uma criança, nem fazem sentido. Eu mesma me vejo nesse ciclo: correndo atrás de objetivos que, quando alcançados, só abrem espaço para a busca do próximo. Às vezes esquecemos do simples: que a vida, por si só, já tem um valor imenso. E que podemos, sim, viver um pouco como crianças — aproveitando o que temos, do jeito que temos.

Neste Dia das Crianças, vou dar ao meu filho um exemplar do mesmo livro. Quero que seja também o primeiro que ele leia por conta própria. Dessa vez, poderei ouvir a história de um outro ponto de vista: do ponto de vista de alguém que já subiu um pedaço da montanha da vida adulta e agora pode observar a mesma história sendo descoberta por outra criança de 7 ou 8 anos.

E me pergunto: será que estou mesmo aprendendo a viver? Ou ainda me preocupo demais com coisas que, no fundo, nem têm tanta importância?

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

O dinamismo vivo de uma comunidade

 Esse texto nasceu com o objetivo de registrar a minha experiência prática com o curso ‘A Ciência do Bem Estar' disponível no Coursera.

Aqui eu poderia escolher exercitar a gratidão, a meditação ou mesmo poder cuidar do sono ou exercícios durante essas quatro semanas, mas escolhi a conexão social por conta da sua importância para o bem estar holístico e por estar animada para explorar as conexões que a minha comunidade pode oferecer.

A minha ideia é fortalecer tanto as conexões que eu já tenho, através de ao menos um encontro por semana com um amigo ou familiar e também ampliar a minha rede de conexões participando de eventos e ativamente buscando construir momentos juntos de pessoas.


A primeira semana já foi muito prazerosa, sem contar que antes mesmo de começar a experiência eu já havia sentido os benefícios desse fortalecimento consciente de conexões, quando ao fazer uma visita à minha querida avó, levei meu filho pra vê-la, minha mãe e também levei flores, o que gerou um momento único de conexão e de beleza, graças às flores que ainda estavam em botões e puderam desabrochar nos próximos dias.


Mas a experiência só foi começar mesmo oficialmente nessa primeira semana, como eu estava dizendo…




Para esse final de semana decidi me conectar com amigos, dentre os mais próximos, enviei mensagens à todos conversando sobre os planos para o final de semana e sobre o que cada um faria… Entre várias opções vistas e sugeridas consegui agendar com uma amiga de longa data, que levou sua namorada também e decidimos tomar um café juntas. Nem preciso dizer que foi super divertido, nos encontramos no parque, conversamos, demos risada, olhamos o movimento e fomos em direção ao café, onde tivemos uma experiencia mais intimista, com o café praticamente vazio, só havíamos nós de clientes e foi um bom jeito de colocar as conversas em dia e finalizar o nosso domingo muito bem.


Dentre os assuntos que coloquei em dia com as minhas amigas estava este a seguir: Para o desafio que me fiz de ampliar conexões, também tive sorte e o direcionamento que apareceu espontaneamente. Já que numa das semanas passadas, participei também de um curso livre de cinema, onde conheci algumas pessoas, dentre elas o A., quem compartilhou sobre o evento ATADOS NO PARQUE, um evento de Shibari no parque, era aberto ao público e eu decidi aparecer, aberta à conhecer novos grupos de pessoas. Como resultado dessa aproximação interagi com algumas pessoas bem legais com quem pretendo fortalecer laços nas semanas seguintes. E esta foi a primeira de 4 semanas exercitando as minhas CONEXÕES SOCIAIS e já posso sentir claramente os benefícios no meu bem estar...

Para a segunda semana escolhi um desafio e tanto, para ser realizado entre o meu núcleo familiar: Eu e meu filho Sião, de 8 anos. Dessa vez eu nos inscrevi para um trilha que vai acontecer aqui mesmo na zona rural da nossa cidade, a trilha terá 11km, terá carros e pontos de apoio, mas com certeza será um desafio que em si carrega o potencial de nos aproximar ainda mais. Para a segunda semana também escolhi um novo plano de fundo para a tela de bloqueio do meu celular, como forma de moldar o meu ambiente para esse incentivo. 




(Continua…)

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Vipassana: a técnica de Buda que eu testei na prática

Eu já tinha lido relatos em blogs de viajantes sobre o curso de meditação Vipassana — aquele em que a gente se inscreve pra aprender a técnica de meditação criada e utilizada por Gautama, o Buda, no caminho até a própria iluminação. Ele teve a generosidade de compartilhar essa prática com quem quisesse ouvir, pra ajudar a gente nessa trilha pela libertação.


Quando a gente se inscreve no curso pela internet, já tem acesso à rotina diária e às normas que precisam ser seguidas. A rotina lembra a de um monge: acordar às 4 da manhã, dormir às 21h, meditar várias horas por dia. Toda a alimentação é fruto de doação, já que não há matrícula nem taxa — os centros sobrevivem com a contribuição de antigos estudantes.

Existem algumas condições de conduta: não machucar nenhum ser vivo (nem mesmo formigas ou mosquitos, porque todos querem viver), não mentir, não ter relações sexuais e manter o nobre silêncio — ou seja, não falar nada durante os 10 dias, a menos que o professor te pergunte algo ou você precise tirar dúvidas sobre a técnica.

A experiência me transformou bastante. Me ajudou a encerrar ciclos que estavam em aberto e que causavam sofrimento. Durante o curso, estamos em contato apenas com nós mesmos e com a técnica. Imagine estar num lugar onde não há comunicação com os outros presentes: tudo o que você sente fica só com você. Não dá pra contar a dor que sentiu, se um inseto te picou, se gostou da comida ou se alguém quebrou alguma regra. Nada disso. Os sentidos e experiências ficam só dentro de você.

Isso aprofunda muito a reflexão sobre a própria vida. Memórias da infância aparecem com clareza. Existem momentos em que pode ser psicologicamente muito difícil estar lá e encarar tudo, mas, quando se supera, o bem-estar é imenso.

Outra coisa que impressiona é a quantidade de alunos antigos. Muita gente faz o curso e volta de tempos em tempos pra reafirmar a prática. Os lugares são sempre muito calmos, com uma energia incrível, a comida é vegetariana e existem centros espalhados pelo mundo todo. Sinceramente, não vejo motivo pra alguém não experimentar.

Eu vi pessoas largando o cigarro, superando traumas e até curando doenças. Além disso, como eu estava viajando, acabei fazendo muitos amigos depois que o nobre silêncio terminou — e ganhei vários convites pra visitar outros lugares.

E falando sobre o fim do silêncio… é surreal passar 10 dias com um grupo de pessoas sem saber o nome ou a nacionalidade da maioria delas. A mente cria conceitos: “essa pessoa deve ser assim, aquela deve ser assado”. Mas, quando finalmente conversamos, percebemos que quase sempre estávamos errados.

Foi uma experiência incrível em muitos sentidos.
Pra saber mais, o site oficial é: https://www.dhamma.org

terça-feira, 30 de junho de 2015

Primeiros dias em Montevideo

A primeira vez que falei espanhol na vida foi dentro de um ônibus, indo de Balneário Camboriú até Montevidéu. Tudo o que eu sabia tinha aprendido em cursos online e nos aplicativos de celular, tipo Duolingo. Apesar disso (ou por isso, ou talvez por nenhum dos dois), os dias desde que cruzei a fronteira têm sido maravilhosos. Senti uma felicidade gigante por estar vivendo algo que imaginei e sonhei por meses.

Escrevo quase sem conseguir me concentrar porque estou ouvindo Novos Baianos e só penso no Brasil, em caipirinha e pão de queijo. Mas aí lembro das casinhas antigas, dos museus, das feiras… e me apaixono de novo pelo paisito.



A primeira compra que fiz sozinha foi numa conveniência de posto: um alfajor e uma Coca-Cola. Eu não entendia quanto tinha dado, não entendia o que o atendente dizia, mas ele sorria, eu também, e deu tudo certo. Os uruguaios (ou uruguaxos, como brinco) são muito simpáticos e sempre tentam falar português ou entender o portunhol, hahah.

A cidade é linda. A arquitetura de todos os bairros que conheci é magnífica: muitos prédios de tijolo à vista, construções históricas, até castelos no caminho do trabalho. Parece que aqui prezam muito pela beleza, e isso era algo que eu sentia falta na cidade onde morava. Tem praça em todo canto, estátuas de tudo quanto é coisa — chineses, cavalos, Madame Curie… É engraçado porque as estátuas também viram ponto de referência: “estou perto da estátua do Gandhi”, “não sei onde é, já passou pela do Santos Dumont?”.

E os museus? Não são poucos. Tem de arte contemporânea, de arte clássica, de artes decorativas, até o museu pedagógico. Todos surpreendem.

E assim eu vou: aprendendo a hablar, conhecendo pessoas e lugares e me sentindo cada vez mais em casa.